Conto: Dias das Mães

em 10 de mai. de 2014


Encontrei a carta que á duas décadas você havia me escrito. Você havia começado naquele ano a escola, mas eu e seu pai, seu falecido pai que tanto me faz falta fizemos questão de ter ensinar a escrever e ler desde os dois anos. Devo confessar, uma tarefa super difícil, mas gratificante ao ver aquele pequeno papel envolvido em uma fita cor de rosa ao lado da mesinha de café da manhã trazida por Júlio e você em minha cama. Sabia que tinha dedo dele nisso, mas ele jurava que você que escreveu aquilo sozinha. Ele  te sentou em sua pequena cadeirinha na época, e te disse para escrever o que sentia por mim. No papel havia uma letra borrada, mas legível com as palavras: Mamãe eu te amo, rodeada por coração.

Meus olhos marejaram na época, acho que chorei, você um garota muito esperta para sua idade ficou preocupada perguntou o que me fazia chorar, eu sorri e tudo ficou bem. Exatamente o que eu fazia agora, chorava, ao encontrar entre as coisas velhas no sótão a cartinha. Morar no Texas não é a mesma coisa sem você e sem Júlio. Seu pai á cinco anos faleceu, e eu sei que era necessário sua ida á faculdade, mas odiava o curso que você optou  fazer, não por o achar ruim, mas por ser tão longe de mim de meus braços de mãe protetora.

Enxuguei as lágrimas e fui até a sala, percebi a porta da entrada da casa aberta. Um vento frio, como não costumava surgir por ali surgiu vindo da porta quando eu a fechei. Temia que alguém além de mim se encontrasse na casa, quem poderia ser? .
Talvez fosse apenas o vento, eu caminhei assustada por toda a sala, até que optei ir até a cozinha. Na cozinha nada de diferente, fiz o menor barulho possível e revistei o resto da casa, mas nada, ainda faltava um cômodo, o quarto o seu quarto, minha querida filha.

Ao abrir o quarto já estava preparada para o ver da mesma forma que você havia deixado. Cama arrumada com seu lençol favorito de cor rosa, os ursos de pelúcia sobre ele, sempre fora uma garotinha, mesmo no corpo de um mulher de vinte anos. Mas ao entrar no quarto, ouvir a  sua voz delicada anunciado sua chegada, Não acreditei no que ouvia, mas lá estava você a poucos passos á minha frente. Corri em sua direção e você fez o mesmo. Então tirou do bolso de sua calça jeans uma cartinha com a mesma aparência daquela encontrada no sótão, a mensagem era a mesma, mas havia também um agradecimento por eu a ter criado tão bem. Fiquei corada, chorosa, emocionada com tudo aquilo. Você por sua vez pareceu ver em meus olhos a preocupação por  sua vinda sem avisar, eu temia que algo havia acontecido no campus, mas pelo que me disse de forma sincera nada havia acontecido. Estava com boas notas, e tirou o fim de semana para comemorar o dia das mães com a melhor mãe do mundo. E esse foi um fim de semana adorável, memorável.

Acho que você percebeu pelo meu sorriso, pela minhas ações o quanto eu estava sentindo sua falta. Sei que em nenhum momento te deixei respirar, ou sair sozinha, mas espero que entenda o quanto é difícil entender que nossos bebês crescem. Sei que Júlio me entenderia se estivesse aqui, qualquer mãe e pai entende, e um dia será sua vez de entender. Te amo filha. Obrigado por tudo!



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14 comentários:

  1. Nossa que conto mais lindoo..
    De verdade.
    Quem escreveu?


    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  2. Eu não cresci com minha mãe, mas tive minha vó que para todos os efeitos sempre foi a melhor mãe do mundo pra mim. O que eu não tive de levada na infância dei de dor de cabeça na adolescência, e hoje aos vinte e poucos anos, mesmo sem ainda ser mãe, entendo tudo o que minha vó passou. Seu conto está maravilhoso, parabéns!! Adorei, e espero no dia em que me tornar mãe, saber aproveitar todos os momentos possíveis ao lado dos meus filhos.

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que você teve sua avó com você, imagino o quanto ela foi um ótima mãe.
      :D

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  3. Olá Renato,

    Parabéns por mais esse belo texto, é difícil expressar em palavras o que uma mãe significa, mais seu texto esta muito bem escrito....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Olá!
    Eu simplesmente amei o conto! Que lindo!
    Vontade de mostrar para a minha mãe. Sinto que ela se emocionará <3
    Beijos,
    Ana M.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

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  5. Ai... adorei o conto!
    Tão lindo!! Adorei mesmo!

    Beijos,
    Carolina's Book Blog

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  6. Parabéns pelo texto e parabéns pelo blog!
    Estou seguindo o blog! :)
    Até mais!- http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  7. Renato, seu lindo, parabéns pelo conto! Ficou maravilhoso e tocante.
    Beijos!
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  8. conto muito lindo, gostei demais!!

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  9. Nossa que conto lindo, eu adorei ele, bem profundo, soube perfeitamente demostrar todos os sentimentos dos personagens, eu amei, e é claro que a mãe é tudo, e um conto sobre ela é com certeza maravilhoso.
    Beijos!!!

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  10. Ahhhhhhhhhhhh, que lindo.
    Nossa... eu amo tanto a minha mãe, mas tanto. Ela me ajuda em tudo, sabe? E sempre me dá conselhos ótimos e enfim, sempre está ao meu lado quando preciso e me faz sorrir sempre. Amo tanto, mas tanto... Minha princesa linda, que Deus continue abençoando sempre a sua vida <3

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