Título Original: Just in Case
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera
Número de Páginas:255
Avaliação: 5/0 - Favorito
Sinopse:
David Case é apenas um adolescente solitário. Não há nada de especial sobre sua vida. Os pais parecem mais interessados no seu irmão caçula, a escola é um tédio e ele quase nem tem amigos. Convencido de que o destino não lhe reserva nada de bom, David se transforma em Justin Case.
Então ele de muda de nome, reinventa sua aparência e se apaixona pela sedutora Agnes Bee - na esperança de tornar-se irreconhecível para o destino e se salvar da própria condenação. Com o galgo cinza e imaginário a reboque, Justin Case luta para manter sua nova imagem e, acima de tudo, sobreviver em um mundo onde as reviravoltas do destino esperam por ele em cada esquina.
Resenha:
Se alguma vez... É uma obra que tem tudo para se tornar uma leitura confusa, chata e densa, se formos apenas no basear em sua sinopse, mas diferente disso a autora rapidamente me ganhou com sua forma única de conectar as palavras, com um personagem, como David tão cru e verdadeiro, com uma história tão surreal e ao mesmo tempo bastante real.
Seu cérebro não lidava com teorias, lidava com medos. Página: 48
Ao iniciar a leitura me senti totalmente preso a narrativa, mas ao mesmo tempo com certo ressentimento do que estava a minha espera na próxima página. David, personagem que narra toda a história, logo nas primeiras páginas me pareceu um adolescente solitário, peculiar, sem muito carinho e atenção de seus pais.
O garoto por sua vez começa a criar um universo todo seu após presenciar uma "quase fatalidade" envolvendo o seu irmão mais novo.
O destino está o caçando é isso que ele começa a pensar. Com essa paranoia sobre o destino, David muda de personalidade, suas vestes e o nome. Pedindo para que todos, seja as pessoas que convive com ele no colégio, ou até mesmo os pais que comecem a chama-lo de Justin.
Muito antes de Einstein pensar em sua teoria da relatividade, qualquer criança podia explicar que alguns dias passavam mais lentamente que outros e que algumas semanas se arrastavam praticamente uma eternidade. Página: 59
David no inicio do livro menciona que seus pais não se importam muito com ele, mas sim com seu irmão mais novo. Em nenhum momento percebi um mínimo sentimento de raiva ou ciúmes de David, com seu irmão. Mas rapidamente percebi que o garoto tem razão. Os seus pais não parecem se importar muito com ele, qualquer pessoa que convivesse por mínimos minutos junto a David, perceberia que ele precisa de ajuda, mas seus pais, quando me pareciam que estavam começando a se preocupar com o garoto, não era por pensarem que ele poderia está no inicio de um quadro de loucura ou algo do tipo, mas sim com algo relacionado a sua sexualidade.
- Na sua vida - disse Ivan baixinho - você vai sofrer perdas inestimáveis. E então também vai morrer, causando uma dor inestimável aos outros. E tudo isso vai acontecer com você, a questão é saber quando. Página: 72
Outros personagens entram em foco na história, como Agnes Bee, uma garota que se veste de forma peculiar, se comporta de forma peculiar e que chama atenção de David mesmo sendo um pouco mais velha que garoto, e Peter a pessoa que representa algo mais próximo de um amigo para David. Ambos personagens tem grande importância na vida intermediária entre o real e imaginário de David, pois ambos convivem com ele em momentos extremos de crises melancólicas e surtos de alegrias.
Agnes, é uma personagem o tanto intrigante, na verdade boa parte dos personagens secundários são, até mesmo David, e acho que é isso que torna a história mais surpreendente e envolvente.
- O destino está tentando me matar, Sinto saudades de meu cachorro. O que o médico vai dizer? Você é está doente, você é louco de pedra? Ou vão me trancafiar ou me dizer para cair na real e, seja como for, ninguém vai acreditar na verdade. Página: 126
A conclusão da história foi algo que me decepcionou um pouco. Todo o livro me vi envolvido com os pensamentos nada coerentes de David e pensava que a conclusão seria algo mais complexo, mais detalhado e até mesmo envolvendo um pouco de psicologia, mas não, foi totalmente o contrário. Mesmo assim, o livro não perdeu pontos comigo, pois todo o livro de forma geral me convenceu. Na verdade o que me ganhou mesmo foi a escrita da autora, tão envolvente, simples e inesquecível. A forma com Meg Rosoff escreveu algo tão complexo de forma simples e que de fato envolve sem se perder em nenhum momento é brilhante.
Não sei se saberia desenvolver algo tão envolvente ao ser desafiado a escrever um livro com tal temática e personagens. Ou seja, é o tipo de livro que não deve ter sido fácil de se escrever, porém a autora passa uma ideia totalmente contrária quando a leitura do mesmo é iniciada.
Também não quero ficar pior, só quero ficar assim, flutuando suavemente em animação suspensa, no escuro, na escuridão agradável, segura e silenciosa. Página: 233
Recomendo, Se alguma vez... para pessoas que tem uma mente mais aberta, que gostam de uma boa aventura regata de drama. Enfim, Se alguma vez..., tem dois temas que amo e por mais estranho que a história e personagem principal na introdução do livro possam parecer, rapidamente me vi envolvido, devorando o livro.