Sonho Clichê, por Renato Almeida

em 26 de dez. de 2013

Ainda tenho uma lembrança vaga, de quando vi pela primeira vez um mapa, na verdade não é tão vaga assim, só de ver um, eu posso visualizar tudo que aconteceu no passado como se fosse hoje, como eu pudesse está ainda no presente, mas vendo de uma janela que me levasse inteiramente para o passado.
Naquela época minha mãe ainda estava viva e trabalhava como escritora, trabalho esse que ela passava todo o dia em casa, mas totalmente não acessível para mim, se trancava em seu escritório e adeus mundo lá fora, inclusive a mim, mas não posso  julga-la, logo ela que me criara sozinha, sem pai, sem marido, sem ninguém para ajuda-la, aquilo era o nosso meio de vida.
Devo também me lembrar, de fato lembro-me dos poucos momentos que ficávamos juntas, seja nas horas de refeição ou nas horas que ela se via cansada de tanto escrever e me chamava dizendo que eu podia invadir sua fortaleza e eu o fazia. E sempre ficava fascinada com a quantidade de livro ali presente.  Mas me lembro de um dia em especial, um dia em que minha mãe trouxera-me um presente, era um enorme papel com formas engraçadas e cheias de nomes, alguns minutos depois descobrir que se tratava de um mapa, o mesmo tinha todos os lugares deste mundo, isso me pareceu tão fascinante.
Naquela época tinha apenas oito anos de idade, para muitos uma idade para ser considerada ainda jovem, para não ser questionada do que se queria fazer, mas assim como minha mãe que me dissera que desde pequena queria ser escritora, eu decidir, queria ser viajante. Isso mesmo, e minha mãe concordou, hoje com dezenove anos, mesmo não tendo minha mãe aqui comigo, pois dois anos após o presente que ela me dera ela partira possuindo um tipo de gripe desconhecida pelos médicos, mesmo não a tendo sabia que deveria fazer o que eu a dissera, pois era também o que eu queria. Não precisaria de nenhum guia turístico, pois tinha meu mapa favorito, eis o que minha mãe me deu, eis o que eu sempre levaria comigo, neste meu sonho tão clichê, mas sonho...

15 comentários:

  1. Que lindo este texto. Eu sou fascinada por mapas também, desde criança.

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  2. Olá.
    Nossa, cada vez mais o Renato arrasa, saudades dos textos dele...
    Muito bacana este mapa, podemos ir a qualquer lugar simplesmente lendo, adorei a última parte, "Meu sonho tão clichê, mas sonho...", um sonho que fico feliz que muitos estão conseguindo alcançar.

    Parabéns pelo texto Renato.
    Grande abraço.

    Tamires C.
    http://de-tudo-e-um-pouco.blogspot.com.br/

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  3. Oi Renato,
    Nossa que conto bonito, no fim quase cheguei as lágrimas.
    Beijos

    Mari - Stories And Advice

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  4. Fico feliz que vocês leitoros (as) do "LIvros de cabeceira" tenham gostado do texto. Também gosto muito de mapas, então me inspirei um pouco no meu próprio sentimento sobre o mesmo para criar a garota do texto.
    Oh Brubs, quero te agradecer muito ao espaço, quando precisar, só dizer, que te mando o texto. Fico muito feliz por estarem gostando. Até mais.
    http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  5. Muito, muito lindo o texto do Re! Ele sempre me surpreende com algo novo! E dessa vez mapas! Eu adoro, mapas!
    Beijinhos <3
    http://www.momentosassim.com/

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  6. Adorei o texto . Gosto de mapas , mas não tenho costume de ficar olhando toda hora :)

    Kiss

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  7. "neste meu sonho tão clichê, mas sonho" resumiu tudo né?

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  8. Nossa, que texto e q sonhos lindos. ^^
    Ela deixou um presente para vc mesmo, uma mania maravilhosa q é essa de viajar.

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  9. Oi Renato :)
    Parabéns pelo conto. Achei fascinante o pequeno enredo criado.
    Eu, antigamente, também tinha fascínio por mapas, mas com o passar dos anos perdi o interesse. Fiquei feliz pela mãe da narradora ser escritora.
    Parabéns pela escrita. E obrigado, Brubs, por compartilhar esse texto do Renato aqui no blog. Bjs :*

    http://peregrinodanoite.blogspot.com.br

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  10. Adorei a ideia de misturar um sentimento e colocar o mapa no conto. Ficou criativo.
    Gostei também pelo fato do autor colocar uma escritora no texto e a garota ter decidido seguir o mesmo ritmo.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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  11. Quando era pequeno, também ficava imaginando como seriam os lugares que via nos mapas. Parabéns pelo conto, Renato!!!!

    @_Dom_Dom

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Beijooos

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